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Gabriel Marcel

Filosofia Moderna – Gabriel Marcel (1889-1973)

Veja também: EREIGNIS

Muito diferente é a abordagem de Marcel, tal como aparece em suas conversas, em seu pensamento captado no momento. Sua preocupação primordial é definir o sentido das palavras. Mas não se trata de uma definição que permite triunfar sobre uma dificuldade ou contorná-la astuciosamente, mas de uma definição por etapas, à medida que o pensamento avança; é uma definição provisória, que adquire pouco a pouco consistência, mas que nunca se imobiliza. No final da entrevista, ela pode ser tão problemática quanto no início. A seriedade do problema permanece, não foi diminuída pela discussão. Diante de tal ou tal situação concreta, é muito comum que, depois de tê-la analisado de várias maneiras, Marcel diga que no fundo ele não pode se pronunciar, que ele não vê qual julgamento emitir. Esta confissão de perplexidade, natural quando se trata de tal ou tal problema metafísico, é geralmente menos natural quando se aborda alguma questão mais ou menos prática. No entanto, esta perplexidade nada mais é do que o reflexo no imediato, no cotidiano, da probidade intelectual, este percurso complexo entre a certeza e a dúvida, este escrúpulo permanente do espírito dividido consigo mesmo. Acusou-se Gabriel Marcel de mobilidade e citou-se tal ou tal situação sobre a qual ele mudou de opinião. A palavra oportunismo não deve sequer vir à mente. Trata-se, no caso, de uma mudança após exame, ou, se se quiser, do desmembramento de um espírito aberto, sempre propenso a compreender o ponto de vista do interlocutor e até mesmo do adversário, e que, tanto por razões especulativas quanto morais, está pronto a fazer concessões, se elas lhe parecem legítimas. Muitas vezes nos perguntamos como, com uma forma de espírito como a dele, ele conseguiu não sucumbir à dúvida obstinada, devastadora, muito próxima do naufrágio espiritual. Acredita-se que seja possível explicar assim sua resistência ao ceticismo. O cético coloca um problema pelo prazer de colocá-lo e de denunciá-lo em seguida, de desarticulá-lo, de revelar a sua inanidade. Ele se regozija diante do insolúvel ou se afunda nele, ele está bêbado de impasse. O ceticismo, em sua forma extrema, comporta necessariamente um elemento mórbido. Gabriel Marcel, assim como o cético, conhece o que se poderia chamar de volúpia do problema, com este corretivo, no entanto, que nele, ao contrário do duvidoso, tudo vai a um alicerce interior, tudo participa da interioridade, sem o que o desamparo teria sido o seu destino. Se sua forma de inteligência converte tudo em problema, o fundo de seu ser, em contrapartida, exige o mistério, e este mistério, em vez de o mergulhar na incerteza e no tormento, salvou tanto sua vida quanto seu pensamento. Não é um simples acaso que Rilke seja um de seus poetas preferidos. Imagine-se uma abordagem onde o pensamento, ao se desdobrar sem trégua, suscitaria indefinidamente questão após questão, sem esbarrar em nada, sem encontrar um obstáculo, uma parada. Uma barreira é necessária, sob pena de vacilação. Os *Sonetos a Orfeu* poderiam significar este limite. Um limite... infinito. (Cioran Les Cahiers de L'Herne)